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SIMPATIAS MÁGICAS

 

     Das cavernas pré-históricas até nossos dias, encontramos registros de simpatias para todos os fins e de todas as formas, que temos procurado registrar. De todas as partes do país e muitas delas até do exterior chegam a nossas mãos. Não criamos o que publicamos. Elas são frutos da tradição popular, que registramos. Diariamente recebemos centenas delas, muitas delas variações de tantas já publicadas, confirmando o que afirmamos acima: há um componente mágico nas simpatias, que transcende à utilização deste ou daquele ingrediente. Uma leitora nos contou que, na falta de um lenço branco de seda e sem recursos para comprá-lo, usou um guardanapo de papel. Talvez por que sua fé fosse tão grande, seu pedido teve sucesso.
     Isso dá o que pensar!
     No Museu Britânico, em Londres, estão em exposição os misteriosos e famosos papiros Ebers, escritos entre 1500 e 1200 antes de Cristo. Nesses papiros estão relacionadas uma série de receitas para as mais diversas doenças, utilizando-se, todas elas, de elementos da natureza. Algumas, inclusive, apelam para magias cujo significado permanece indecifrável, uma vez que recorrem a entidades que desconhecemos, mas que, na época, eram do conhecimento dos egípcios.
     Ísis Galena, a famosa bruxa, feiticeira e alquimista, que viveu em Hamburgo, entre 980 e 1037 de nossa era, apregoava que todas as suas receitas para embelezar o corpo feminino contavam com um componente infalível e imprescindível: o luar da Lua Cheia. Além disso, ela desenvolveu uma série de simpatias, nas quais proclamava o uso de metais preciosos e pedras preciosas, como complementos.
     O famoso mago Aznaturas (1485-1550), contemporâneo de Paracelsus, afirmava ter descoberto o princípio que estabelecia o equilíbrio entre as forças positivas e negativas da natureza. Com isso, assegurava que podia provocar a sorte ou o azar para uma pessoa. O princípio de suas experiências baseava-se na utilização de elementos da natureza em suas simpatias, como as correntezas, cachoeiras, folhas e plantas, pedras, astros, etc. De sua obra principal, Equilíbrio Perfeito, restaram só fragmentos, salvos da fogueira da Inquisição.
     Os ciganos, desde sua origem, na Índia, passando pelos dois ramos, o egípcio e o persa, desenvolveram, ao longo dos séculos, uma relação muito próxima com a leitura das mãos, podendo ver nelas o passado, o presente e o futuro das pessoas. Além disso, os conhecimentos de astrologia e de magia em geral criaram simpatias surpreendentes para a cura de doenças, tanto físicas quanto espirituais.
     Qualquer que seja a civilização estudada, vamos encontrar homens sábios que se debruçaram sobre esses dois assuntos tão fascinantes: as simpatias e a magia, ambas conhecidas em todas as partes, com repertórios distintos.
     Usadas para o bem ou para o mal, indistintamente, dependendo do interessado, as simpatias e a magia têm atravessado os séculos, enriquecendo-se, redescobrindo princípios, ingredientes e conhecimentos que foram perdidos no passado, a exemplo dos conhecimentos dos egípcios, dos alquimistas, dos magos, feiticeiras e bruxas da Idade Média, das civilizações aniquiladas, como os maias, os incas, os astecas, os peles-vermelhas da América do Norte, os índios do Brasil e tantas outras pelo mundo todo.
     Se fossem possível recolher todo esse vasto conhecimento num só local, para estudos e análises, seguramente o mundo iria ter, diante de seus olhos, de forma quase que miraculosa, segredos há muito procurados, como a cura de muitas doenças. Modestamente é esse o nosso objetivo: resgatar e compilar esse conhecimento.
     Ao longo do tempo, a relação do homem com a magia sempre foi uma constante, evoluindo em determinados momentos, sendo reprimida em outros, mas mantendo-se em equilíbrio. O que se lamenta, após tantos séculos, são os conhecimentos que se perderam, principalmente obras como "Equilíbrio Perfeito", do mago Aznaturas, "Da Beleza Feminina e Outros Encantos", da feiticeira Ísis Galena, "Letras e Destino", do bruxo Hermitall, e tantas outras, das quais se conservam apenas fragmentos cuidadosa e sigilosamente guardados em arquivos e museus.
     Muitos conhecimentos registrados nessas obras, apesar de incompletos e cheios de lacunas, mostram essa relação do homem com a magia e em como se beneficiou o homem com isso. Alguns povos, como os ciganos, por exemplo, que deixaram a distante Índia e percorreram toda a Europa e, depois, o resto do mundo, por serem nômades, jamais criaram uma literatura própria. Seus conhecimentos eram passados de pai para filho, sempre oralmente. Nos períodos negros de perseguição porque passaram, nas trevas do período da Inquisição e modernamente, durante a II Guerra Mundial, muita coisa se perdeu com o genocídio praticado contra esse povo.
     E o que dizer da relação entre homens e Anjos, comum e constante nos tempos relatados na Bíblia e até em épocas posteriores, mas hoje definitivamente perdido, apesar do esforço de estudiosos e crentes no sentido de resgatar essa proximidade? Ao invés de evoluir em parcerias desse tipo, o homem canalizou toda a sua energia na disputa de territórios e de bens materiais, deixando para trás outros valores muito mais importantes.
     Hoje tenta-se recuperar muito dessa sabedoria perdida. Não será uma tarefa fácil, mas basta que o homem se dedique a isso e em pouco tempo os elos perdidos se restabelecerão. A proximidade do novo milênio tem criado nas pessoas uma mentalidade mais espiritual e desapegada de valores que, ao longo do tempo, foram a ruína do homem e ditaram seu afastamento de tudo que poderia aproximá-lo do Plano Superior.
     As fadas e os gnomos, principalmente, sistematicamente expulsos em todo o mundo com a destruição das florestas, têm agora merecido a atenção de pessoas que poderemos chamar de protecionistas, pois esses seres elementais, assim como outros, encontram-se em extinção, tamanha a devastação praticada pelo homem. 
     O mesmo vale para seres que habitavam nossas terras, como a Caipora, o Saci-Pererê, o Boitatá, a Mula-sem-cabeça e tantos outros que foram relegados a simples conteúdo folclórico dos livros escolares, expulsos que foram de nossos campos e florestas pela ganância do homem. Se analisarmos bem, o homem evoluiu em conhecimento científico milhares de vezes ao longo dos séculos, mas pouco em conhecimento espiritual e superior.
     No seu livro "As Ciências Ocultas", Arthur Edward Waite dedica uma especial atenção à Magia, abordando desde as Práticas da Magia até os Mestres da Arte da Magia, abrindo, inclusive, um capítulo para as Ciências Secretas ligadas à Magia.
     Ali ele divide a Magia em Magia Branca, baseada na evocação dos Anjos e outros seres ou espíritos dos Elementos; em Magia Negra, que tem por princípio a evocação dos demônios e das almas dos mortos.
     Se analisarmos nossas Simpatias Populares, vamos verificar que as mais comuns são aquelas que se valem da Magia Branca para atingir seus intentos, muito embora tenhamos de reconhecer que há muito de Magia Negra num ramo não muito divulgado das Simpatias, justamente porque apelam para forças cujo controle pode fugir aos mais inexperientes.
     De fato, mesmo na Magia Negra há simpatias aparentemente inofensivas, como a de curar uma bronquite medindo a altura da pessoa doente com uma fita vermelha, que deverá ser enrolada depois e posta nos pés de um defunto, antes do enterro, para que ele leve consigo a doença. A recomendação, inclusive, é de que esta simpatia seja feita apenas se o defunto era parente ou muito amigo pessoa doente, justamente porque o apelo é feito diretamente à alma do falecido.
     As simpatias que envolvem a Magia Negra estão presentes também em todas aquelas que pedem o sacrifício de um animal ou se utilizam de ossos, penas ou restos de animais, seja lá de que espécie forem eles.
     Arthur Waite, no entanto, faz questão de alertar, em diversas passagens, para "os perigos reais e terríveis da magia negra", um dos quais é muito conhecido como "choque de retorno" pelas pessoas que têm alguma familiaridade com as simpatias. Alerta ele, inclusive, para o absurdo que é recorrer a demônios e almas atormentadas para pedir uma ajuda, quando os Anjos e os Seres Elementais estão à disposição para prestar o mesmo auxílio, sem risco de se perder a alma por causa disso.
     De qualquer forma, é importante perceber, portanto, que a Magia Branca, presente nas Simpatias Populares, vai buscar em forças e fluídos positivos as soluções para quem a ela recorre e que os dois termos, inclusive, se confundem, como se as Simpatias fossem um ramo da Magia, quando, na verdade, ela é uma das formas de se praticar essa Magia ancestral, que vem sendo desenvolvida e enriquecida maravilhosamente pela sabedoria popular.
     Por outro lado, julgamos importante ressaltar o aspecto negativo de toda e qualquer simpatia que se utilize da Magia Negra para atingir seus objetivos, muito embora façamos também questão de frisar que não pretendemos julgar ninguém nem censurar essa que é uma das manifestações populares mais legítimas.
     Sempre que forem oportunas, essas simpatias também serão citadas e apresentadas aos leitores, cujo livre-arbítrio deverá decidir pela sua utilização ou não.
     Isso porque ressurge, neste final de milênio, com uma força inesperada, e até certo ponto impressionante, as práticas mágicas, principalmente na Inglaterra, Alemanha e França. Os bruxos, feiticeiros e magos estão deixando seus esconderijos, passando a assumir seu papel e reivindicando direitos que, na antigüidade lhes pertenciam e que, no período negro da Idade Médica, foram-lhes tirados pela Inquisição.
     Num mundo que pretende ser democrático, a ditadura de uma só crença não tem sentido. A origem e tradição desses magos atuais, baseados em conhecimentos muito antigos, podem colocar em dúvida muitos dogmas de fé até hoje impostos sobre os crentes de todo o mundo.
     Um leitura imparcial da Bíblia e de todos os outros livros semelhantes espalhados pelo mundo, nas mais diferentes culturas, mostram semelhanças em seus relatos, como o dilúvio, a vinda de um Salvador, filho de uma virgem, guerras de um povo eleito contra os não-eleitos e muito mais.
     Descobertas arqueológicas recentes e muitas outras, conservadas a sete chaves nos museus cristãos do mundo inteiro demonstram que há uma verdade maior, que precisa ser ocultada, com fins que não são difíceis de serem deduzidos.
     Os bruxos e bruxas da Inglaterra recentemente solicitaram que lhes seja autorizado o uso de um cemitério pagão, onde possam enterrar seus mortos. Heresia? Absurdo? Sinal do fim dos tempos? Fica difícil responder, quando vemos hoje as nossas Simpatias Populares serem taxadas de superstições e tolices.
     Quem lê a Bíblia e conhece seus diversos livros não precisa de muita imparcialidade para perceber em toda parte simpatias muito objetivas e claras. Deixando de lado o fanatismo e o apego irracional, é possível, na realidade, encontrar no considerado Livro Sagrado uma série enorme de simpatias, demonstrando que esse tipo de transmissão de ensinamentos para a solução de problemas é muito mais antigo e menos supersticioso do que aparenta e querem os ignorantes, que são como os cegos que não querem ver.
     O movimento desencadeado pelos magos, buscando ocupar aquele espaço que lhes foi tirado nos últimos séculos, começa a ganhar no mundo todo. Muitos deles começam a falar abertamente de sua prática, percebendo que, diante dessa crise de fé em que se envolveu a humanidade, segredos antigos e preciosos precisam ser apresentados.
     Enquanto isso não ocorre, as Simpatias Mágicas começam a ganhar cada vez mais seu espaço, encontrando nas pessoas eco que, segundo a ciência, remontam ao cromossomo-memória, ou aquela parte física de nossa mente que guarda a memória de todas os nossos ancestrais.
     Seja como for, a natureza e a sabedoria dos homens desenvolveu, ao longo de milênios certas práticas que podem ser usadas para o bem e para o mal. A Magia Branca e a Magia Negra são uma realidade que não pode mais ser evitada. A primeira merece ser divulgada. A segunda deve ficar restrita aos iniciados.